Luiz Carlos Pais
Tudo vale a pena se a alma não é pequena. (Fernando Pessoa)
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Imaginação Ativa
Imaginação ativa é um método para favorecer o crescimento pessoal através de um sincero dialogo interno, desenvolvido pelo psiquiatra e analista suíço Carl Gustav Jung, nas primeiras décadas do século XX. Método é uma reflexão sobre o caminho a ser seguido para a busca do conhecimento de modo geral. Considerado o pai da psicologia analítica, uma das abordagens da psicologia contemporânea, Jung descreve como ele vivenciou o desafio de favorecer o diálogo entre o seu inconsciente e sua consciência. Isso acontecia desde os anos de sua juventude, quando ele estava sempre engajado em compreender o significado de suas ideias para o bem das outras pessoas.

A descrição desse método está detalhada na sua obra intitulada O Livro Vermelho, que começou a ser redigida por volta de 1913, logo após o seu rompimento com Freud. Outra obra de referência para estudar esse tema essencial para vivenciar o processo de individuação é o volume 14/1 da coleção de obras completas do autor, publicada pela Editora Vozes, batizado pelo enigmático título latino de Mysterium Coniunctionis, que significa o mistério da conjunção ou integração das forças opostas que existem da psique. A redação dessa última obra foi finalizada em 1954, quando Jung tinha quase 80 anos. Desse modo, há um intervalo de 40 anos entre as duas obras acima citadas.

Em O Livro Vermelho, o conceito ainda não estava formalizado do ponto de vista teórico. Razão pela qual prevalece um enfoque mais prático de aplicação do método, sendo ainda conduzido de modo quase somente intuitivo. Somente no transcorrer de sua longa carreira é que foi sendo possível aprimorar e melhor explicitar o significado do método. Por outro lado, o texto da década de 1950 resultou de uma síntese dos estudos que Jung fez sobre as relações entre psicologia e alquimia. Assim, a verdade é que não existe uma estrada real para conduzir os estudos e os métodos são mais ou menos eficientes em função da subjetividade e personalidade de cada pessoa.

O grande risco é tentar aplicar o mesmo método para todos os seres humano. Daí nasceu o necessário pressuposto da diversificação dos caminhos usados para aprender a estudar. Alguns autores observam que o mistério da conjugação é uma obra de fôlego, que sintetiza a questão metodológica da psicologia analítica. Mistério da Conjunção é uma expressão usada pelos para designar a união de diferentes minérios comuns para obter o mais puro ouro reluzente. O pressuposto de que é possível vivenciar o mistério da conjunção está entre as noções fundamentais da psicologia analítica.  O processo da individuação que é a meta principal da análise junguiana está baseado no desafio da integração dos polos opostos: persona e sombra, consciência e inconsciente pessoal e coletivo, anima e animus, complexos e arquétipos, entre outros. Imaginação ativa, associação de palavras e análise dos sonhos são os três principais métodos utilizados por Jung e que foram ressignificados por psicólogos analistas.

O fundamento do método consiste em não perder de vista que a consciência do ego, por mais diminuta que seja sua luz diante da escuridão do inconsciente,  pode ser articulada com os conteúdos do inconsciente, de forma permanente para fortalecer as ações  que levam ao crescimento pessoal. Nesse sentido é oportuno citar exemplos reais que podem ser colhidos em realidades de vida plenamente desfavoráveis, do ponto de vista econômico, e mesmo assim algumas crianças que viveram nessa realidade, conseguem fortalecer ideias e potenciais para a sua pequena jornada de heroi. Essa possibilidade decorre da imaginação ativa, com destaque de símbolos, palavras, sinais, sintomas, sonhos, livros, momentos impactantes que fortalecem o ideal de estudo de um jovem da família humilde.

A imaginação ativa se diferencia essencialmente da fantasia passiva porque não basta sonhar ou idealizar um caminho para alcançar um objetivo sem dar o primeiro passo, por mais modesto e imperceptível que seja no ambiente imediato. Para finalizar esse convive de iniciação de estudos dos grandes temas da psicologia analítica, cumpre observar que outra obra de referência para estudar o método da imaginação ativa é o livro intitulado “Encontros com a alma: A imaginação ativa tal como desenvolvida  por C.G. Jung”, publicado em 2024 no Brasil, da autora Hannah, Barbara, analista inglesa que trabalhou com Jung por cerca de quatro décadas. Mas essa é uma outra história e uma outro leitura.

Luiz Carlos Pais
Enviado por Luiz Carlos Pais em 23/01/2026
Alterado em 23/01/2026
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