Luiz Carlos Pais
Tudo vale a pena se a alma não é pequena. (Fernando Pessoa)
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Reflexões
Ando refletindo sobre minhas raízes. Achei meio complicado, mas tentei e compartilho. Sou do interior de Minas e paraense. Fui para Belém, com 21 anos de idade. Estudei.  Adoro creme de cupuaçu. Depois, fui para o Rio de Janeiro, pegar outro diploma. Me fiz professor. Mas minhas raízes se fixaram na Terra Prometida de Canãa, Mato Grosso do Sul. Minha filha e meus dois filhos são campo-grandenses e netos de imigrantes japoneses. Aprendi coisas da Terra do Sol Nascente, com eles e com minha esposa que também foi professora.  Depois de décadas de magistério, aposentei e fui para o Recanto.  Estou em Campo Grande há quatro décadas e por aqui vou ficando até quando eu não sei. Minha avó materna, italiana, chegou ao Brasil como professora normalista. Casou-se com um sapateiro e teve onze filhos. Lá no interior, ela foi uma das primeiras mulheres a exercer o direito de votar nas eleições políticas, isso no início da década de 1930.  Antes de ir para Belém, também fui sapateiro, na oficina do meu pai, dos oito ou dezoito anos. Com ele aprendi a fazer sapatos e a ler o mundo. Continuei buscando minhas raízes. Descobri que minha avó paterna era indígena, adotada ainda menina por um casal de portugueses, pelos lados mineiros de Jacuí, onde nasceu meu pai. A família dele foi para São Sebastião do Paraíso, Sul de Minas, onde foi sapateiro e poeta. Agraciado pelos anos longevos, subiu para o andar superior, minha mãe também, meu sogro, minha e meu irmão.  Ando procurando uma pequena síntese dessa história de vida.  Me resta apenas afirmar que sou mesmo é brasileiro.  
Luiz Carlos Pais
Enviado por Luiz Carlos Pais em 20/06/2026
Alterado em 20/06/2026
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