Sabores do interior
Além da sensação do corpo, da percepção do tato, da visão e das vibrações sonoras, tem o perfume e os sabores do interior. Entre todas esses contatos, não esqueço os doces que minha avó fazia no tacho de cobre, do fogão a tenha. Do dia especial de confeitar. Da gata borralheira que dormia no canto da parede aquecida pelo braseiro. A chaminé dolente e o aroma dos biscoitos de polvilho e do bolo de fubá. Receita que parecia não ter segredo, mas hoje não encontro nada parecido. Sabor intenso, emoção vibrante, açúcar cristal, carinho de avó, limão, hortelã e as balas de caramelo. Fogo brando regulado com o suspiro da chaminé, paciência para descansar a calda. Meus olhos de menino aguardavam. Tempo de magia, sem ansiedade, quando parecia não existir passado e nem futuro, apenas o amor presente dos meus pais e de minha avó. Onde estará a fonte desses sabores do passado. Sei que eles são do interior, mas ando vasculhando as redes digitais em busca desses encantos. De todas elas, ainda me conforta as letras do Recanto. A vida é mais vibrante com a leitura, escrita e o versejar.
Luiz Carlos Pais
Enviado por Luiz Carlos Pais em 04/07/2026