Luiz Carlos Pais
Tudo vale a pena se a alma não é pequena. (Fernando Pessoa)
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Textos
Festa Julina
O ano passa de mansinho. De repente, é tempo de festas julinas. As outras ficaram no passado. O início do segundo semestre traz um momento especial e mais um convite para não desistir de sonhos e projetos. Começa uma espécie de contagem regressiva para o final do ano. Isso pode incomodar os afetos. Nem tudo o que foi sonhado saiu do imaginário e mesmo assim ainda persiste a esperança de mudar alguma coisa. Cada pessoa é convidada a virar uma página, fechar mais um ciclo, perdoar ou realizar um desejo. Ao cair da noite, chega a saudade mais intensa dessas festas do interior.

O friozinho típico dessa época não chega a assustar, pelo menos por aqui, no coração do cerrado, terra de clima seco e troncos retorcidos sobre aquíferos magistrais. É tempo de vestir a alma com cores mais alegres e florais, como se fosse um convite bem antecipado para a primavera. Algumas pessoas vão à loja em busca de adereço, daquele remendo falso para enfeitar a roupa nova e assim tentar chegar ao clima. Há muito tempo tudo isso era feito em casa, mas os tempos são outros e a correria traz a compra pela internet. Outros preferem buscar na memória algo para celebrar esse momento de passagem.

Lá se foi a primeira metade do ano, mas ainda há sonhos sem atitudes, aguardando o primeiro gesto na direção sonhada. Isso pode trazer alguma ansiedade, mas que fique nisso apenas, porque cada estado ou condição psicológica é também fonte de energia para tocar a vida.  Por enquanto, ainda é tempo de  festa julina de esperança e de reinventar caminhos e talvez ressignificar o passado.   Restam cinco meses e pouco para concluir o ano. E se ficar alguma coisa para depois, seria tão grave?

O vento sopra o corpo e a alma para atualizar a virtude que é humana. A fogueira tende a ser digital para não queimar a natureza. O terreiro é cada vez menos, o milho verde anda sumido. Mesmo assim uma alegria brejeira e simples pode tomar contar do ser. Seja a festa com chapéu de palha ou de grife, calça rancheira ou sertaneja, camisa de chita ou de seda. Só não vale perder o senso de esperança por dias melhores de paz mundial e saúde para todos.
Luiz Carlos Pais
Enviado por Luiz Carlos Pais em 05/07/2026
Alterado em 05/07/2026
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