O retorno ao universo das cartilhas escolares do passado é uma aventura repleta de afetos e emoções. Pode despertar fantasia e saudade, assim como reflexões sobre o que estava atrás de supostas páginas inocentes. No início dos anos 1960, minha professora adotava As mais belas histórias, uma coleção de livrinhos destinados ao curso primário, que corresponde às atuais séries iniciais do ensino fundamental. A querida mestra, que também alfabetizou duas de minhas irmãs, chamava-se Nilce Godinho. Educadora das mais eficientes, era poetisa e depois concluiu a licenciatura em matemática da Faculdade de Filosofia de Passos (MG).
De autoria da professora Lúcia Casasanta, As mais belas histórias foram publicadas pela Editora do Brasil e circularam em meados do século XX. A obra trazia uma proposta de alfabetização inovadora e em relação aos métodos anteriores, como o adotado na cartilha Caminhos Suave, da professora Branca Alves de Lima. Essa autora priorizada o conhecimento inicial das letras, sílabas para depois formas as palavras, usando frases que poderiam não ter muito significado para a criança. Diferentemente, As mais belas histórias adotavam o método global de alfabetização, baseado no movimento da Escola Nova, baseado no princípio que era importante despertar o prazer da escrita pela leitura de histórias encantadas. Talvez não exista um método que seja o melhor para todos. O mais importante é não deixar de ir à escola para aprender a escrever as primeiras letras e a ler os desafios do mundo.