História da Imprensa Paraisense: A Voz do Paraíso de 1901
O primeiro jornal de São Sebastião do Paraíso, Sudoeste Mineiro, foi lançado no dia 30 de maio de 1901. Impresso pelo antigo sistema tipográfico, A Voz do Povo circulou sob a direção de Antônio Simplício da Costa. Uma das referências para visualizar esse evento singular da cultura local é o livro do escritor José de Souza Soares, publicado em 1922, que registrou uma relação dos jornais paraisenses que circularam na duas décadas precedentes. Registros atuais disponibilizados na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional permitem retornar para iluminar a importância histórica do evento.
O lançamento contou com o auxílio da Câmara Municipal, sob a presidência do coronel Herculano Cândido de Mello e Souza. Limitados recursos contribuíram na formação de uma sociedade de leitores, cuja importância vai muito além dos limites regionais do conhecido polo cafeeiro. O jornal era composto pelo sistema tipográfico e imprenso em formato simples de quatro páginas, em um prelo movido a pedal que oferecida serviços gráficos na cidade. Um aviso na primeira página dizia tratar-se de um órgão da imprensa popular, destinado a publicar assuntos de interesse locais. As matérias pagas tinham o custo de 300 reis por linha, alertando que o pagamento deveria ser feito antes da publicação, pedindo desculpas pelo fato de não abrir nenhuma exceção.
O editorial da 9ª edição tratou das dificuldades que a lavoura cafeeira regional estava enfrentando naquele momento. O redator afirmava que a sinceridade pautada pelo jornal seria o termômetro do valor das ações humanas. Os longos de escravidão estavam na base da dificuldade para se adaptar ao novo regime de trabalho que estava em vigor há pouco mais de uma década. O regime de trabalho das colônias, modelo que substituiu ao da escravidão, não estavam atendendo aos desafios daquele momento. Foi publicado o falecimento, ocorrido em 21 de julho de 1901, do capitão João Ferreira dos Santos Carvalhaes que participou da Segunda Intendência Republicana, correspondente a atual câmara municipal, logo após a Proclamação da República.
Assim, testemunhou a transição do regime imperial para a República, juntamente com Ângelo Calafiori, Calimério Augusto Soares, Manuel Rodrigues da Silveira; comissão presidida por José Aureliano de Paiva Coutinho, e secretariada pelo coronel José Luiz Campos do Amaral Junior. O capitão João Carvalhaes era membro da Loja Maçônica Fraternidade Universal. No sepultamento, discursou o juiz Luiz Sanches de Lemos, comissionado pela Loja, cujo orador oficial era Américo Benício de Paiva. Foi depositada sobre a urna uma coroa de flores com os dizeres: “Da Loja Fraternidade Universal a João Carvalhaes. Nossos pêsames a excelentíssima família”.
Luiz Carlos Pais
Enviado por Luiz Carlos Pais em 03/08/2026