Jornalista João Borges de Moua (1913)
No dia 22 de março de 1913, a principal notícia de São Sebastião do Paraíso, Sudoeste Mineiro, foi o lançamento de O Jornal, sob a direção do jornalista, músico e tipógrafo João Borges de Moura, proprietário da gráfica Jobormoura. O então jovem e aguerrido intelectual, participante ativo da vida cultural da cidade, estava iniciando uma nova fase da história da imprensa local. O jornalismo paraisense estava dando os primeiros e desafiantes passos como uma atividade profissional. Mesmo ainda associada ao ofício de tipógrafo, a redação do jornal deixava de ser um deleite literário. O lançamento de O Jornal foi registrado por O Paiz, um dos principais diários do Rio de Janeiro, nos seguintes termos: “Em São Sebastião do Paraíso apareceu mais um hebdomadário intitulado O Jornal, que se dedica aos interesses gerais do município, sob a direção de João Borges de Moura”. A nota ressalta ainda que se tratava de um jornal muito bem redigido, com excelente qualidade gráfica, incluindo a técnica da impressão tipográfica e a arte da composição estética das páginas.
O jornalista João Borges de Moura foi um dos mais atuantes protagonistas da história da imprensa paraisense, no contexto da primeira metade do século XX. Era pai do também jornalista e músico Anibal Deocleciano Borges (Biba), da jornalista Conceição Benedita Borges Ferreira (Sãozinha), que durante anos escreveu saborosas crônica sociais no Jornal do Sudoeste, e sogro do jornalista e advogado Jacinto Guimarães Ferreira. Foi nesse cenário vivo de paixão pela imprensa que ele publicou diferentes títulos da imprensa da cidade, por quase meio século, falecendo em 1960, quando estava dirigindo O Cruzeiro do Sul.
João Borges de Moura costuma assinar suas crônicas com o pseudônimo João Daqui. Uma bem-humorada analogia com o ilustre João do Rio, jornalista e escritor do Rio de Janeiro, pioneiro da crônica reportagem, eleito membro da Academia Brasileira de Letras, em 1910. Nesse momento estava iniciando um novo estilo de jornalismo, caracterizado pela crônica de reportagem, escrita em sintonia com a cotidiano da cidade, através do contato direto do redator com os fatos. O João Daqui foi um cronista atento aos desafios do seu tempo, às carências da cidade e com autonomia intelectual soube criticar, se necessário fosse, os coroneis da política nos tempos da República Velha.
Nesse sentido, ressalta-se a importância de sua atuação na imprensa, colocando-se como porta-voz das classes populares, defendendo o progresso da cidade para todos.
Entre os periódicos publicados sob a sua direção estão: O Jornal, Libello do Povo, Revista Ilustrada, O Diário e o Cruzeiro do Sul. Lançado em 1943, esse último semanário circulou por cerca de quatro décadas e foi dirigido após, após o seu falecimento, pelo jornalista Anibal Deocleciano Borges. Para finalizar, entre os livros impressos na oficina gráfica Jobormoura está a coleção de crônicas Coluna Partida, do professor Antônio Roque Martins, obra publicada em 1935 e prefaciada pelo professor e pastor Tancredo Costa. Nessa época, o sapateiro e poeta José Paes, meu pai, com 13 anos, frequentava as aulas noturnas de alfabetização ministradas pelo autor da referida obra literária.
Luiz Carlos Pais
Enviado por Luiz Carlos Pais em 03/08/2026
Alterado em 10/08/2026