Jornal espírita Deus, Amor e Caridade de 1915
Entre os primeiros núcleos espíritas de São Sebastião do Paraíso (MG), está o Centro Espírita Deus, Amor e Caridade, fundado em 1915, com sede localizada nas proximidades da Estação da Mogiana, no coração do Braz, bairro onde havia uma grande comunidade de imigrantes italianos. Posteriormente, teve sua sede transferida para a Rua dos Antunes, onde funciona até os dias de hoje. Uma das primeiras deliberações da diretoria do núcleo espírita foi a criação de um jornal, com a mesma denominação da entidade. Sobre o lançamento desse jornal temos informações na edição de novembro de 1915 da revista O Reformador, publicada pela Federação Espírita Brasileira, Rio de Janeiro, registrando a expansão do culto espírita na cidade. Notícia redigida nos seguintes termos:
“Chega-nos de São Sebastião do Paraíso a grata nova fundação de um grupo espírita que tem por legenda Deus, Amor e Caridade, dentro da qual pretende semear o grão da espiritualidade à luz dos ensinamentos espíritas. A sua diretoria é composta dos seguintes irmão: Presidente: Nestor Silva; Vice-presidente: José Cardoso; Tesoureiro: Getúlio Teixeira; 1º secretário: Plínio Panse; 2º secretário: Delfim Alves. Gratos pelo fraterno comunicado, desejamos aos nossos irmãos de ideal muita paz como premissa de superior assistência espiritual, a fim de levaram adiante, vitoriosamente, o seu magnífico testamento.”
O jornal Deus, Amor e Caridade foi lançado sob a direção e redação de Plínio Panse, que exerceu o cargo público de amanuense – aquele que escreve a mão - da administração municipal. Tinha caligrafia, agilidade e cultura escolar para redigir corretamente os documentos referentes ao serviço público. Anos depois ele foi também agente do correio na cidade. Na mesma época, vários outros cidadãos foram atuantes no serviço social realizado pela comunidade espírita. Entre os quais Hermano Dintele, Dante Giubilei, Ulisses Faleiros, Miguel Gonçalves dos Santos, Pompeu Abelardo Giubilei, que aturam na fundação do Albergue Noturno Obreiras do Bem (1948) no Hospital Psiquiátrico Gedor Siveira (1962). Esse último foi, recentemente, desativado em função das novos recursos médicos e psicológicos para acolher pessoas com transtorno mental grave.
A partir de 1899, quando o professor Gedor Silveira assumiu o cargo de regente de uma aula pública em Paraíso, iniciaram as atividades do que pode ter sido o primeiro grupo de estudos da doutrina espírita local, sob a direção do ilustre educador. Mais precisamente, dados sobre o Culto Espírita em São Sebastião do Paraíso, no início do século XX, estão no Anuário Estatístico de 1921, volume 4, publicado pelo serviço de estatística de Minas Gerais. Nesse momento, estava funcionando o Centro Espírita Deus, Amor e Caridade, com 158 frequentadores regulares, assim como estava organizado também o Centro Espírita Obreiros da Caridade. O registro desses dois Centros estava inseridos da seção destinada às entidades que prestavam serviços sociais à população carente da cidade.
Luiz Carlos Pais
Enviado por Luiz Carlos Pais em 03/08/2026
Alterado em 10/08/2026