Jornal O Binóculo de 1917
No início de 1917, circulava em São Sebastião do Paraíso (MG) o jornal O Binóculo, sob a direção de Odilon Xavier. Apresentado como um periódico focado em notícias e esportes, a existência dessa publicação está na Notícia Histórica de São Sebastião do Paraíso, obra de José de Souza Soares lançada em 1922 pela Casa Espíndola, de São Paulo. Mas o alcance do evento local ultrapassou as fronteiras mineiras: o jornal carioca Correio da Manhã, na edição de 18 de fevereiro de 1917, registrou que o jornal havia alcançado a sua quarta edição e caíra nas graças dos paraisenses.
Na mesma página do jornal carioca, vinha o anúncio da organização de uma entidade esportiva que marcaria para sempre o futebol local: a AAP (Associação Atlética Paraisense). Embora a fundação oficial só viesse a acontecer dois anos depois, como consta na historiografia local, o futebol de domingo já começava a transformar o lazer da cidade, impulsionado por uma equipe que parecia imbatível. A diretoria provisória, criada para oficializar o nascimento da AAP era formada por Gustavo Lessa (presidente), Emílio Carnevale (vice-presidente), Odilon Xavier (1º secretário e diretor do jornal O Binóculo) Anibal Versani (2º secretário) e José Dias Ferraz (tesoureiro).
Foi assim que O Binóculo nasceu, embalado pelo apoio dessa turma de esportistas e pelo fôlego dos primeiros 150 sócios contribuintes da futura AAP. Dois anos após o surgimento do que talvez tenha sido o primeiro jornal esportivo de Paraíso, a diretoria provisória conseguiu regularizar a situação jurídica do clube. É por isso que o ano de 1919 ficou no imaginário coletivo como a data oficial da fundação, impulsionada tanto pela burocracia quanto pela construção do estádio em terreno doado pelo comendador João Alves de Figueiredo.
Com o nascimento de outra grande paixão esportiva da cidade, o Operário Esporte Clube, Paraíso viveu seus anos dourados de futebol. Eram tardes de domingo inesquecíveis, seja quando um dos times entrava em campo, seja nos clássicos eletrizantes para decidir quem seria a melhor equipe local. No fim das contas, a imprensa se mostra indispensável para contar a verdadeira história e a diversidade de uma cidade. Olhar para o passado da imprensa paraisense é, no fundo, enxergar a própria alma cultural e social da comunidade.
Luiz Carlos Pais
Enviado por Luiz Carlos Pais em 30/08/2026